22 de jul de 2013

A dor de uma separação



Quando um relacionamento acaba muitos questionamentos nos vêm à mente, queremos respostas, queremos arrumar culpados, afinal, queremos saber quem e o que foi que nos causou tamanho sofrimento... e que sofrimento!... que dor!...

O rompimento de uma relação também é um luto e para superá-lo precisamos passar por algumas etapas. Talvez o jeito mais fácil seja responder algumas destas perguntas: "Se doí tanto, por que insistimos tanto naquilo que nos faz tão mal?", "Será que este sofrimento é tão intenso por que negamos a realidade dos fatos?", "Quanto de expectativa colocamos no outro?", "Por que queremos mudar quem não quer ou nem percebe o que precisa ser mudado?"... Penso que a resposta para todas estas questões esteja em enfrentar a realidade dos fatos e não aquela realidade que idealizamos.

Enquanto este enfrentamento não ocorre, ficamos sofrendo não pela realidade em si, mas na espera de quem foi embora volte para nos salvar. Só que enquanto isso não acontece, se é que é isso que vai acontecer, não reagimos e continuamos a sofrer e o pior, demora mais para superar e para nos reconstruir, afinal ainda estamos envolvidos emocionalmente pela sensação de abandono, entre outras...

Porém, o pior abandono é quando nós nos abandonamos. Quando não lembramos de quem somos, quando não nos valorizamos, não nos cuidamos, quando deixamos de ser o protagonista da nossa própria vida em função do outro. Vamos perdendo o nosso brilho, a espontaneidade, a vontade e sofremos mais e mais por nos negligenciar. Choramos pelo outro, enquanto deveríamos chorar por nós mesmos, afinal permitimos que isso tudo acontecesse.

É claro que a separação nos traz sofrimento, é inevitável, toda esta dor faz parte da elaboração do luto, por isso, é bom chorar quando se tem vontade e expressar o que sente de alguma forma até para evitar adoecimento no corpo, costumo dizer que este é o momento de sentir e se voltar a reflexão para buscar respostas dentro de nós mesmos para aprender com a adversidade.

E... por que não mudarmos a nós mesmos?

A intensidade e a duração deste sofrimento dependerá do tempo que levamos para nos aproximar de QUEM SOMOS. Por isso, é importante deixar de resistir as nossas mudanças, deixar de amar o outro para amar a nós mesmos e aproveitar este momento para ficar com a gente mesmo. Aos poucos vamos percebendo que estar só também é bom, na verdade é um privilégio! Nos proporciona resgatar a nossa própria identidade, viver a nossa própria privacidade, é possível repousar, refletir, estudar, pensar, aprender...

... vivenciar momentos que são só nossos e curtir a nossa própria companhia também traz satisfação!

Escrever este texto me fez lembrar de um poema escrito pelo incrível Charles Chaplin, acredito ser o fechamento perfeito do que quero transmitir...

...Apreciem e vamos saber viver!

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Autoestima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. 
Hoje sei que isso é... Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar o meu desejo, mesmo sabendo que não é o momento da pessoa ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje eu sei que o nome disso é Respeito.

Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pudesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo  Hoje eu sei que o nome disso é... Amor próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que eu gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. 
Hoje sei que o nome disso é... Simplicidade

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje eu vivo um dia de cada vez, isso é... Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. 
Tudo isso é Saber viver!!!

Um abraço,

Fernanda Mion




2 comentários:

  1. Parabéns pelo texto Fernanda.
    E o fechamento com esse poema foi excelente!
    Beijos
    Célia

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  2. Parabéns Fê...ótima observação !!!!
    Eu li em algum lugar que o que nos define não é o que somos e sim nossa capacidade de se levantar depois de uma grande queda. Acreditar em si mesmo é sempre o melhor caminho. Bjs

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