5 de mai de 2011

Adoção

Olá amigos,

Confiram a entrevista feita comigo pela repórter Andressa Giro da Revista do Tatuapé.



O tema é ADOÇÃO.

Espero que gostem!


Quando um casal começa a conversar sobre a possibilidade de adotar uma criança, quais fatores devem ser levados em conta (vantagens, dificuldades, se estão preparados, aspectos físicos e etc)?

Os motivos pelos quais um casal decide adotar uma criança podem ser diferentes. O mais comum é a impossibilidade de ter filhos biológicos. Existem também os casais homossexuais que também tem os seus motivos. Qualquer que seja a razão, a adoção certamente preencherá suas necessidades de demonstrar afeto, de amar e viver em família e oferecerá a uma criança a oportunidade de crescer em um lar dentro de um contexto familiar saudável.

Inicialmente, quando o casal começa a conversar sobre adotar uma criança, passam em mente diversos tipos de pensamentos que causam reações diversas, como por exemplo: dúvidas sobre a criação, sobre como contar sobre a adoção, medos e incertezas em relação à herança biológica, e ainda se preparar para o processo judiciário que pode ser longo. Depois do processo de escolha da criança, se a criança tem irmãos biólógicos, com o momento de recebê-la em casa, com o preparo psicológico de irmãos caso a família já tenham outros filhos adotivos ou não e conforme os anos se passam, com a criação, mode de contar e com as reações caso o(a) filho(a) resolva procurar seus pais biológicos.

O importante é buscar dentro de si, os motivos emocionais que o levam a tomar esta decisão, e encarar todas as possíveis dificuldades com um olhar positivo para todas as situações.

É comum, ouvir em meu consultório após o período incial da adoção, os pais relatarem que nem se lembram que a criança não tem o seu sangue, pois o amor é equivalente ao de um filho biológico.

Como devem lidar com suas dúvidas, incertezas, mitos e preconceitos para tomar essa decisão?

Sem dúvida nenhuma é uma decisão importante e difícil de ser tomada. Como você mesmo colocou em sua pergunta, é uma decisão que envolve dúvidas, incertezas, mitos e preconceitos e assim conflitos internos. Para tal, é indicado um processo terapêutico antes mesmo da adoção propriamente dita. Este processo promove autoconhecimento a fim de buscar respostas interiores no sentido de se imaginar no futuro lidando com tais situações, para que assim, perceba se há condições emocionais para lidar com todas essas questões.

Além disso, os futuros pais também podem buscar informações em livros, grupos de apoio a pais adotivos a ainda procurar cursos de recém-nascidos (se esse for o caso) para se conhecer os primeiros cuidados com o bebê.

O momento de buscar a criança para trazê-la para casa equivale emocionalmente ao parto: a expectativa do encontro, como a criança é, como reagirá, desperta ansiedade. Como deve ser essa adaptação?

Com toda certeza, este é um momento que pode sim causar ansiedade pela expectativa que a situação "da chegada do filho(a)" oferece. Com certeza as emoções sentidas são equivalentes ao parto de um filho biológico. Os pais poderão sentir-se felizes, alegres, como também, inseguros e com medos diversos.

Em relação a adaptação, também considero equivalente a chegada dos filhos biológicos, onde desde o início sentimos amor e afeto. Os cuidados diários, o vínculo que vai se formando, vão dando a sensação tanto a criança, quanto aos pais de se sentir "pertecentes" um do outro.

Quando os pais estão preparados emocionalmente, os sentimentos gerados durante os momentos da criação costumam ser mais positivos. Isso independe do fato do filho ser ou não adotado.

Quando contar? Como contar? E quem deve contar ao seu filho sobre a adoção?

Durante a criação, além de todas as alegrias e felicidades que um filho proporciona a uma família, chega um determinado momento que os pais adotivos se indagam sobre como, quando e quem deve contar que não são os pais biológicos.

Como eu disse anteriormente, eu recomendo que esta questão deva ser pensada antes mesmo de adotar uma criança, para que o casal possa se definir previamente como e qual será a sua atitude. Isso o ajudará a minimizar sentimentos de ansiedade que tal situação oferece.

Normalmente quando os pais me procuram para um processo terapêutico e esta questão é trabalhada, a minha atitude não é dar opiniões e sim, aplicar técnicas terapêuticas para que os pais possam buscar as respostas dentro de si, de acordo com os seus próprios valores e crenças, e com a maneira como interagem em família.

O que eu e outros psicólogos, terapeutas e especialistas no assunto temos como opinião de forma unânime é que a criança tem o direito de conhecer a sua história de vida. E que o ideal é tratar o assunto o mais cedo possível, de forma verdadeira e natural.

Por que não se deve mentir?

Os pais adotivos podem perder a credibilidade caso o(a) filho(a) descubra. Lembro-me de ter atendido uma jovem de 16 anos que quando descobriu ser filha adotiva, relatou-me se sentir como se a vida dela fosse uma farsa. Caso a criança saiba de forma inadequada ou tardia pode gerar sentimentos de traição por se sentir enganada.

Quem tem o direito de saber?

Esta também é uma pergunta pessoal. Há pais que contam para a criança e família, mas não contam a outras pessoas. Já outros, enfretam qualquer tipo de preconceito e contam abertamente para a sociedade.

Um casal me contou que quando estava próximo da chegada do seu filho adotivo em casa, enviou cartões aos amigos e familiares: "Temos o grande prazer de contar sobre a adoção do nosso filho..." O mais importante é que a família e a criança conheçam a sua origem. Outras pessoas são uma opção.

Qual é a forma de contar sobre a adoção para uma criança?

Falar abertamente sobre o assunto é o caminho. Além disso, os pais devem ser os primeiros a falar com os seus filhos sobre o assunto da adoção. Contando de forma tranquila, segura e confiante, dizendo-lhe que são os "pais de criação" ou "pais do coração", desde o momento em que a criança chega para fazer parte da família.

É importante salientar que ela foi escolhida, que dentre todas as crianças os pais optaram por ela?

Acredito que esta escolha faz parte da história. Contando a história para a criança, de forma segura, e começar desde o momento que a criança chega a casa. Os pais podem dizer como se sentiram quando os(as) viram pela primeira vez, podem contar que "foi o dia mais feliz da vida deles", ou seja, falar dos seus sentimentos mais puros e genuínos para a criança se sentir amada e segura.

Quais são os riscos de uma revelação tardia ou inadequada? Pode acontecer uma disfunção familiar?

Pode ocorrer uma disfunção familiar sim. A criança pode se sentir traída e sofrer com isso, e surgirem assim, desvios em seus comportamentos.

É importante falar as palavras "adoção", "adotado", "adotivo", para que ela entenda futuramente o seu significado?

Sim, é recomendável. Mesmo que a criança não seja capaz de entender o termo: adoção, enquanto é pequeno, o contato de forma precoce com esse conceito fará parecer natural e facilitará a explicação conforme o crescimento da criança.

É importante não expor aspectos negativos da família de origem? Como responder as perguntas sobre os pais biológicos?

Sim é importante. Digam o que sabem de acordo com a maturidade do(a) filho(a). Uma dica é não usar o termo "pais verdadeiros", afinal, os pais verdadeiros são os adotivos. Ao mencionar o casal que o gerou, chame-os de "pais biológicos".

Que dica você daria para os pais que não sabem como introduzir o assunto com a criança?

"A criança pode suportar todas as verdades" 
Françoise Dolto - Psicanalista (1908-1988)

Uma oportunidade comum é quando durante o crescimento, a criança pergunta como nasceu, qual a sua origem, os pais aproveitarem para inserir o assunto. A adoção é um ato de amor, se vocês tomaram esta decisão, parabéns, e aproveitem para vivenciar todas as alegrias, dúvidas, medos, expectativas e surpresas que a experiência de ser "pai e mãe" oferece.

Muito obrigada,

Fernanda Mion


3 comentários:

  1. Parabéns! Muito show, como sempre!

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  2. FERNANDA,SUAS RESPOSTAS ME AJUDARAM DEMAIS A TRABALHAR COM ALGUNS MEDOS SOBRE A REVELAÇÃO DA ADOÇÃO.CONTINUAREI ENTRANDO NO SEU SITE PARA MAIORES INFORMAÇÕES

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